segunda-feira, 7 de abril de 2014

Ponto & Vírgula - 3ª edição - Part.1



Poema de minha autoria, presente na página 56 da  3ª antologia Ponto & Vírgula. 

Francisco, meu avô

Visto apenas como mais um
entre tantos...
Cidadão honesto,
trabalhador modesto.
As mãos calejadas
daquele sofrido marceneiro,
aparentavam seu esforço
exercido com paixão e perfeição.
Sempre ao nascer do sol
abria o portão e saia,
com sua bicicleta
e uma pesada caixa de ferramentas na garupa.
Se punha o sol
mais um dia chegava ao fim.
                                         No caminho de casa
voltava para seu pequeno Mundo
e na Vida pensava.
Todos os dias a mesma rotina cumpria.
Desta vez o portão
não seria mais aberto
quanto menos fechado.
Acabaria, assim, as idas e vindas
do grande gladiador.
Não é a hora!
Pela última vez o portão foi aberto
não pelo velho homem das madeiras,
mas pelo jovem neto.
A cada giro da fechadura
os ferros da grade se torciam,
inundando a calçada
de um líquido vermelho.
Vendo-o deitado a minha frente,
cercado por lindas rosas.
Ao redor, muitos que
de sua Vida fizeram parte
a lavar seu novo lar com rios de lágrimas.
O portão que não mais se abrirá
também jamais se fechará.
Eternamente as lembranças
por ele passarão e pelo quintal correrão.

Guilherme Mapelli Venturi.

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